27 fevereiro 2015

[Vida de Escritor] Glauco Cortez - Por Matheus Peleteiro



Como disse na minha postagem anterior sobre o Nick Farewell, estou escrevendo nessa coluna para trazer à tona os grandes autores Brasileiros que não tem a glorificação que merecem. Seja por conta da mídia, ou por conta da nossa super valorização ao que é de fora e micro valorização ao que é daqui.

E dessa vez, gostaria de falar sobre Glauco Cortez, um jornalista que publicou um livro chamado “Romance Rock”. Hoje ele é professor e doutor na área de Ciências Sociais, e escreve no blog “educação política”.

Glauco viveu o período o qual muitos quarentões, (cinquentões, que seja) da nossa geração exaltam: o período da ascensão do rock, da juventude porra louca, das manifestações políticas, da dúvida em torno do comunismo, das brigas intelectuais colegiais, da rebeldia diferente da que existe hoje; que fala, fala, e não diz nada.

E por ter vivido nessa época, sua obra retrata com fidelidade aquela época. É uma dança por entre o Brasil da década de 80. Todo jovem deveria ler, acho que seria um bom livro para que os professores recomendassem. A maconha se dispersando pelo país, as dúvidas, os anseios, os medos dos jovens, tudo está perfeitamente bem retratado nessa obra, que pode ser considerada um relato histórico.

A música é um dos pontos fortes do livro, que não é nada denso. E ajuda a retratar numa linguagem simples e encantadora o que pensavam naquela década. Durante os capítulos foram inseridos trechos das canções que se adequavam a época: do Cazuza, dos Engenheiros, do Camisa de Vênus, e muitos outros. Vale ressaltar que quando essas cançõessão explicadas, fazem muito mais sentido, e encantam muito mais. Ainda que sejam músicas atuais até hoje, é interessante ver porque foram compostas, e o momento que se adequam.

Talvez não seja um livro que impressione por ter um estilo inovador, mas é um livro que agrada, que é gostoso de ler, e que lhe faz viajar pela época “dourada” do Brasil. É uma leitura fácil, que só acrescenta história e ideias. Principalmente para os mais jovens, como eu, que não vivemos para ver a Legião Urbana; o Raul Seixas; os furdunços causados para discutir protestos por conta da não existência das redes sociais; e os medos gerados naqueles anos por conta da recente queda da ditadura.

Por ser o personagem um adolescente, muitos terminam se identificando, ao ver suas dúvidas, sua rebeldia e principalmente: suas histórias de amor, suas merdas e seus momentos de alegria: fumando um beck num lugar proibido, ou mostrando uma boa nota para sua mãe.

Sim, o livro retrata tudo, sem hipocrisia e moral para bons moços. Ele mostra a parte bela e a parte escrota daquele belo período que muitos queriam ter vivido.

“O certo é que havia chegado o momento de narrar, transformar vida em literatura, porque literatura é simplesmente vida”
Glauco Cortez, falando pelo seu personagem Sebastião Brascaville.

“Faz de mim vidro
Só que não atire pedras
Quebro-me inteiro
Dói a queda
Mas os cacos são do mundo”
Glauco Cortez


Uma obra que merece ser lida por todos os Brasileiros, simples, e rica.

E o mais legal é que podemos comprar por ai, no mercado livre, sebos, livronauta, por um valor bem baratinho! A leitura vale a viagem, além de custarbem pouco para o bolso. ;)


1 comentários:

  1. Olá Matheus, fiquei muito lisonjeado com o texto sobre o Romance Rock.
    Muito Obrigado,
    Abraços
    Glauco Cortez

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