29 março 2014

[Papos de Sábado] Autores Sob Demanda

Oi, pessoal! Hoje trago para vocês uma nova coluna, ela se chama "Papos de Sábado" e terá como objetivo falar do cenário literário nacional. Hoje o Edinaldo Garcia vai falar um pouco sobre a publicação sob demanda.





Com a democratização do mercado editorial devido, sobretudo, às chamadas tiragens sobre demanda – aquela em que livros são impressos mediante à solicitação –, muitos autores nacionais tiveram a oportunidade de ter suas obras publicadas.
No modelo convencional, pagavam-se (geralmente os autores) à editora-gráfica para que uma tiragem fosse produzida. Aquela pilha de livros era, inicialmente, comercializada, depois doada e ainda sobrava, por muito tempo, alguns “malditos” na prateleira. Isso era a prova física do fracasso para o autor.
A tiragem sob demanda possui três principais vantagens:
Primeira: Não é necessário um grande investimento.
Segunda: O livro jamais estará esgotado, uma vez a impressão é maleável ao tamanho do pedido.
Terceira: Caso haja o interesse de modificações da obra mediante algum erro de gramática ou qualquer outra coisa, será mais fácil fazê-lo, e como não houve uma grande tiragem, poucos exemplares terão aquelas tão incômodas falhas.
No entanto, nem tudo são flores. Tecerei alguns comentários a respeito das desvantagens desse tipo de publicação que, acredito, é sim uma grande oportunidade para nós autores. Escrevo, portanto, este artigo para defender a tiragem sob demanda, mas desmistificar alguns importantes pormenores e, sobretudo, lançar uma visão crítica acerca dos procedimentos errôneos de autores e editores que trabalham com este tipo de livro.
Inúmeros autores nacionais estão recorrendo a este tipo de publicação. Geralmente os chamados “novos autores”. Tal nomenclatura tornou-se uma taxação para muitos editores. Chamar o escritor de novo autor é, para muitos profissionais do livro, uma forma de desculpar-se como: “Olha, não investiremos muito no seu livro”; “Deixá-lo-emos em nossa estante por muitos anos e, como não faremos divulgação nenhuma, porque este é um trabalho só seu e não nosso, não venderemos um exemplar sequer. Ou também, dizer que uma antologia feita por novos autores tornou-se o mesmo que dizer aos leitores: “Não levem a mal os muitíssimos erros gramaticais e de digitação neste livro, pois não é nossa responsabilidade revisar a obra e eles, como são novos autores, ainda não sabem escrever”.
Deparo-me com muitas antologias que contêm textos completamente sem revisão. Como escritor e revisor, acredito que o autor deve ter conhecimento pleno da língua antes de meter a cara numa publicação; ou pelo menos pagar alguém para revisar sua obra, afinal, muitas editoras não fazem este trabalho e nem o exige. Os processos seletivos das editoras estão cada vez mais sem critérios e pouco rigorosos. A constante busca por lucros um pouco mais elevados faz com que bastantes editoras se vendam para autores/textos ruins. Alguns editores simplesmente não leem a obra que estão produzindo. Há editoras pequenas que lançam mais de cem livros por mês. Não há como fazer um trabalho bem feito mediante a uma solicitação tão absurda dessas. Editores assim estão dando tiros no escuro. E o pior é que existe autor que se torna alvo desse tipo de publicação.
É preciso que se compreenda que a língua é a ferramenta de trabalho do escritor. Ter domínio dela implica ter domínio do texto. Há, por outro lado, muitos trabalhos os quais a língua parece dominar o autor.
Juntamente com minha mãe – eximia professora – fiz um trabalho de catalogar alguns erros muito comuns nos últimos livros nacionais desses “novos autores” que li. Não os citarei e nem seus nomes, tampouco transcreverei aqui trechos dos contos. Vão, deste modo, algumas dicas sobre desvios de gramáticas tão comuns:

·         Independente do que diz o Word, deve-se sempre separar o aposto do vocativo. Entenderam, pessoal?
·         A crase é importantíssima para o entendimento do texto. Se você não sabe usá-la, aprenda o mais rápido possível. Não existe escritor sem domínio do acento grave. Orações como: “Pôs a mesa”; “O garoto pintou a máquina”; “Adoro admirar a noite”; “Nasceu a tarde”. São totalmente diferentes em sentido das: “Pôs à mesa”; “O garoto pintou à máquina”; “Adoro admirar à noite”; “Nasceu à tarde”.
·         Compreendam também que um acento ou a falta dele modifica todo o sentido do período. Auxílio não é auxilio; revólver não é revolver; papéis não é papeis; crítica não é critica e por aí vai.
·         Existem sim regras para colocação de vírgulas, mesmo que muitas delas são um pouco subjetivas. Saiba o que é um aposto, uma enumeração, uma oração intercalada, período composto por subordinação, enfim. Esqueça aquilo de que para saber colocar vírgula basta ler o texto em voz alta.

Embora o autor não tenha uma grande visibilidade no mercado, ele precisa entender que sua obra deve ter qualidade para isso. Necessita também buscar editoras competentes para fazerem este trabalho. Escritores e editoras devem dar-se as mãos na busca pela excelência.
As antologias são ótimas formas de divulgação do trabalho literário e incrível oportunidade para o leitor embarcar em diferentes enredos sob um mesmo tema. Não existe autor que não deva submeter seus trabalhos em coletâneas diversas.

Que venham, pois, muitos mais livros nacionais de primorosa qualidade. Acredito que não é utopia nossa literatura se igualar, em nível de território nacional, às publicações estrangeiras. Já estamos caminhando para isso. Na Amazon Brasil, por exemplo, os e-books tupiniquins há tempos estão no topo da lista dos mais vendidos.  

Texto de Edinaldo Garcia, nenhuma parte deste texto pode ser copiada sem autorização do autor e do blog Floreios e Borrões. 

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