28 abril 2013

Entrevista com Leonel Caldela

Galera, o Leonel foi super gentil e aceitou conceder essa entrevista para nós. As respostas dele estão muito boas, então não deixem de ler!


Leonel Caldela é autor da Trilogia da Tormenta, série de romances no maior cenário de RPG nacional, composta por O Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus. Também escreveu O Caçador de Apóstolos e Deus Máquina, romances de fantasia medieval em universo próprio. Escreve, edita e traduz livros de RPG pela editora Jambô e é um dos autores do selo Fantasy – Casa da Palavra. Mora em Porto Alegre, mas sua mente e coração costumam estar em outros lugares. 






1 - Quem é Leonel Caldela?
 Assim, logo de cara? Segundo meu twitter, sou "escritor, aparentemente". Segundo o meu site, autor, tradutor e editor. Segundo a orelha de O Código Élfico, escritor em tempo integral. Poderia conseguir um depoimento bem elogioso da minha namorada, mas acho que os leitores não vão se interessar... Sou o Leonel, 33 anos, morador de Porto Alegre desde sempre, jogador de RPG, praticante de boxe, dono de dois gatos, viciado em café, nerd de coração.


2 - Como surgiu a ideia para escrever O Código Élfico?

Veio de dois lados. A ideia de um elfo criado num laboratório, no mundo moderno, surgiu do Raphael Draccon, durante uma conversa por telefone, quando ele estava recém formando o selo Fantasy. Era uma única frase: "Cientistas criam um elfo em um laboratório", ou coisa assim. Este foi o embrião. O cenário mais amplo (com as conspirações, os cultistas, os assassinos em série, a magia negra, os mortos-vivos, as dimensões paralelas, os deuses profanos, etc.) surgiu de um jogo de RPG que criei para meus amigos. Na época, o cenário para esta história "caseira" estava ocupando boa parte do meu cérebro, e a ideia do Draccon acabou se encaixando. Deveria ser um cenário que só seria visto por cinco ou seis pessoas, mas virou o pano de fundo de um livro!



3 - Conheço o seu trabalho de livros de RPG e também da Trilogia da
Tormenta, mas qual a fonte de tudo? o que moveu sua atenção para esse
gênero, que vem crescendo e ganhando cada vez mais força entre todos
os públicos e idades?

Comecei a ler fantasia porque gostava (e gosto) de ler de tudo. Praticamente todos os gêneros me atraíam: desde dramas intimistas até livros policiais, terror... Eu conseguia achar diversão até mesmo em alguns livros obrigatórios para o colégio (veja bem, eu disse "alguns"...). Mas a fantasia só me agarrou mesmo quando li As Crônicas de Dragonlance, em uma edição antiga em português de Portugal. Fiquei fascinado! Já jogava RPG há vários anos, portanto tinha muito contato com a fantasia, mas nunca tinha encontrado uma obra do gênero que me fascinasse daquela forma. A fantasia então tornou-se uma opção cada vez maior para meu grande objetivo de ser escritor. Quando surgiu o convite para escrever o primeiro romance do cenário Tormenta, eu soube que meu futuro estava ali. Ao escrever O Inimigo do Mundo (meu primeiro livro), eu estava fisgado para sempre.


4 - Ser escritor é difícil, disso todos nós sabemos, mas para você,
qual é a maior dificuldade para ter um livro publicado no Brasil?

Não acho que ser publicado seja especialmente difícil. Muita gente consegue publicar livros hoje em dia. O difícil é se sustentar com isso. Para viver de escrever, na minha experiência, é preciso uma de duas coisas: ou produção constante, ou publicar por uma editora grande, que consiga muito destaque para um só livro. Em ambos os casos, é necessário muito trabalho. E em ambos os casos, em geral, é preciso ser muito dinâmico e ativo, conseguir "algo" a mais que faça a gente ser notado. No meu caso, isso foi minha produção em RPG - fui escolhido pela Fantasy após ter me destacado no cenário Tormenta. No caso de outros autores, é participação em podcasts ou outras mídias, contato frequente com editores, atuação em sites grandes dedicados a um gênero literário, etc. Impossível saber de onde virá o próximo grande nome da área, mas algo é certo: os dias do escritor que apenas ficava trancado em seu escritório, produzindo sem contato com o mundo, acabaram - a menos que você queira ser descoberto apenas muito depois de sua morte...


5 - Qual a sensação de se ter um livro publicado pela Fantasy - Casa
da Palavra, um dos selos editorias mais queridos dos leitores nos
tempos atuais?

É uma euforia enorme! Eu fui um dos primeiros a serem contatados pela Fantasy, quando o selo ainda nem tinha este nome. Cheguei a ter conversas com o Draccon em que nós justamente quebrávamos a cabeça para escolher um nome, antes que ele achasse o que acabou sendo - simples e perfeito. Então, há muito tempo eu sabia que estava no time, mas passou-se um grande período em que nada podia ser revelado. Depois, mais uma fase em que divulgamos que eu faria parte do selo, mas ainda nada sobre o primeiro livro. Quando finalmente tudo estava aprovado e podíamos falar às claras, foi uma grande alegria. O primeiro post do meu site oficial, leonelcaldela.com, divulgou o nome do romance. E agora, com os primeiros leitores já com o livro em mãos, sinto um orgulho vasto, misturado com gratidão à equipe do selo. E estou ansioso pelas primeiras resenhas!


6 - Qual o conselho que você passa para os jovens que estão iniciando
uma carreira na literatura?

Comecem com obras pequenas. Contos, de preferência. Não tem tanta graça quanto trilogias ou romances de 600 páginas, mas começar com esses desafios enormes pode ser difícil demais para um iniciante. É preciso criar fôlego. Enquanto estiverem dando os primeiros passos, estudem. Muito! Analisem a estrutura de suas obras preferidas - tanto história quanto linguagem. Leiam mais ainda! Saiam de suas zonas de conforto, explorem outros gêneros, autores que vocês não conhecem, livros que fogem de seus interesses usuais. E, quando ouvirem algum conselho de editores, prestem atenção. Um pedido de mudança ou uma crítica de um editor não é ofensa - é a contribuição mais valiosa que um autor pode receber.


7 - O que você acha do trabalho desenvolvido pelos blogs literários?

Adoro. Na minha visão, os blogs literários são o futuro da crítica litrária no Brasil. Embroa existam veículos impressos que fazem um trabalho excelente neste sentido, pelo que vejo em geral são os blogs que estão mais antenados com o gosto do público, que podem dar dicas mais valiosas, que realmente entram em sintonia com os leitores. Acho que o público sente-se mais próximo de gente que fala como eles do que de uma "crítica" pretensamente intelectualizada e elitista. Todos sentem-se parceiros nos blogs.


8 - Você se inspira em algum outro autor, filmes ou lugares para
escrever seus livros?

Sempre tenho minhas referências literárias, presentes em tudo que escrevo. Para linguagem e narrativa, Rubem Fonseca. Para batalhas e personagens cativantes, Bernard Cornwell. Para terror, Clive Barker. Para ideias surpreendentes, Neal Stephenson. Além disso, muitos filmes, músicas, etc. - coisa demais para citar aqui. Também uso muito a internet. Para pesquisar sobre lendas urbanas (um tema muito presente em O Código Élfico), o site snopes.com foi fundamental. Quanto aos lugares... Viajar para qualquer cidade nova é vital para não deixar o cérebro estagnar, além de visitar minhas cidades mais queridas (São Paulo, Rio, Fortaleza). Para produzir mesmo, preciso do meu escritório...


9 - Para finalizar, mande um recado para seus leitores.

Leiam! Escrevam! Continuem conosco, estamos fazendo a literatura no Brasil crescer, juntos! E, é claro, confiram O Código Élfico. Vocês vão descobrir que o verdadeiro arqueiro nunca dispara uma única flecha.
Um abraço!


Numa pequena cidade chamada Santo Ossário, vive Nicole, uma jovem vítima das mais improváveis lendas urbanas, com um passado misterioso envolvendo assassinatos e rituais a uma deusa oculta.
Em Arcádia, um mundo habitado por elfos, vive Astarte, que diariamente treina arquearia e disciplina élfica, até o dia em que descobre a que é destinado: escravizar os humanos a mando da deusa Rainha, sua mãe.
A cidade é o grande portal que une os dois mundos. Mas Astarte rebela-se contra os elfos e une-se a Nicole contra o mal da Rainha e seus seguidores. Um encontro explosivo que provará que qualquer um pode ser um guerreiro e lutar por aqueles que ama.

7 comentários:

  1. Carolina Durães29/04/2013 12:53

    Oi Alef, tudo bem?
    Amei a entrevista.. Ainda não conheço o trabalho do autor, mas fiquei bem interessada
    Beijos

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  2. Uau!!! adorei a entrevista.. não conhecia o autor e depois de ler essa entrevista, já esta na lista de futuras aquisições

    bjsss

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  3. Apesar de não ser meu gênero favorito o autor como pessoa é tão cativante e foi tão simpático em suas respostas que acredito que irei ler o livro. Parabéns pela entrevista.
    Beijos,
    htt://opendoorofcreation.blogspot.com

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  4. Adorei o autor! Sincero, direto e verdadeiro! Parabéns pela entrevista! Foi ótima! bjs para você, meu querido Alef!

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  5. Oi Alef
    Bem bacana a entrevista, gostei ;)
    Acabei de fazer um post do livro "O Código Élfico" lá no Escuta Essa.
    http://escutaessa.blogspot.com.br/2013/04/lancamento-literario-o-codigo-elfico.html

    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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  6. Mto boa a entrevista, já conhecia o trabalho do Leonel Caldela, e agora conhecendo um pouco da mente pensante por trás das obras maravilhosas. Parabéns pela entrevista Alef, sempre gosto das suas entrevistas, mas esta em especial foi ótima :D

    abraço forte!
    pedro shyneider

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  7. Confesso que ainda não havia tido a honra de conhecer o trabalho deste autor, mas estou realmente fascinado e curioso para me aventurar neste mundo fantástico por ele criado. Sem contar o carisma e sinceridade presentes em cada resposta. Lerei, sem dúvidas - assim que a fila diminuir um pouco.

    Entrevista excepcionalmente boa, meu caro Alef. Meus parabéns!

    E como há braços, abraços.
    Caleb Henrique - Viajante Literário

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