17 fevereiro 2013

Entrevista com Eliane Quintella, autora de "Pacto Secreto", (by Alef Dalle Piagge)


Galera, trago hoje para vocês uma super entrevista com a minha querida Eliane Quintella, autora de "Pacto Secreto", publicado pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século.



1 - Como foram as pesquisas para que você chegasse a uma  determinada
forma para que o pacto fosse selado?
Interessante essa sua pergunta, Alef. A primeira coisa que eu defini foi que queria escrever a história de alguém que vive um dilema em assinar ou não o pacto com o diabo. Por isso, a primeira parte da pesquisa foi, como você deve imaginar, sobre pacto com o diabo. Comecei de um modo bem simples pela internet mesmo digitei "pacto com o diabo". Achei inúmeras matérias sobre celebridades que supostamente tinham feito pacto com o diabo, até sites que prometiam tudo e mais um pouco se você fizesse um pacto com o diabo, coisa que sabe-se lá como eles garantiam oferecer. Depois comecei a encontrar algumas matérias mais sérias a respeito do pacto, que mostravam a concepção do pacto sob o enfoque do satanismo. Foi por essa linha mais séria e menos fantasiosa que me interessei, aprofundei minha pesquisa, e resolvi usar em meu livro, até porque acho que a história fica mais interessante quando você sente que aquilo realmente poderia acontecer. Sinceramente eu adoro uma fantasia com pé na realidade, pois, então, ainda que torçamos o nariz fica aquela dúvida no nosso inconsciente: será?
É importante dizer que o primeiro livro da saga traz apenas uma ideia do pacto. O pacto só é integralmente desvendado no terceiro livro da saga.


2 - Em "Pacto Secreto" você fala um pouco sobre magia, nós podemos
esperar mais disso nos próximos dois livros?
Para quem já leu o livro PACTO SECRETO, sabe que a Valentina terá muitos desafios pela frente. Nos próximos livros, ela vive esses desafios e faz muitas descobertas, parte dela é relativa à magia. Contudo, esse assunto não é esmiuçado ao leitor mas tratado dentro de um contexto.

3 - Você cita alguns filmes no decorrer da história de Valentina, você
tirou desses filmes alguma inspiração para seu livro?
Muito legal sua pergunta. Realmente eu, tal como a Valentina, vivi essa pesquisa sobre o pacto. Eu também queria saber o que estava por trás desse misterioso pacto. Foi por isso que além de pesquisar o assunto na internet, revistas especializadas, livros, eu também parti para os filmes de ficção. Eu acredito que a cultura está em todo lugar, por isso quando pesquiso não me limito apenas a livros, parto para várias coisas sobre o mesmo assunto, vale até obra de arte. Você se lembra da fazenda do Mr. Sinistro?

4 - Quando foi que surgiu a ideia de escrever um livro que trata de um
tema que, para muitos, é um grande tabu?
É esquisito que a resposta a essa pergunta remete diretamente a minha infância. Meu pai amado, cujas saudades que sinto dele acho que são infinitas, me colocava desde muito pequena para assistir a filmes com ele de suspense e terror. Sim, eu sei que não é convencional para uma garotinha de sete anos assistir a filmes como O Retrato de Dorian Gray, A Profecia, Um corpo que cai, Festim Diabólico, entre outros, mas quem se importa. Eu adorava! Foi também meu adorado pai que me emprestou os primeiros thrillers para ler. A figura do diabo nesse contexto foi sempre alvo de muito fascínio e interesse, por isso foi muito natural a ideia de um livro sobre pacto com o diabo, pois era um assunto que me interessava, mas que eu nunca vi tratado em nenhum desses filmes e livros que curtia de uma forma mais, vamos dizer assim, detalhada

5 - Você descreve os enviados do diabo como sendo belos e atraentes,
por que você resolveu que deveriam ser assim?
Pelo próprio folclore que existe em torno do diabo, de lúcifer, e etc. Nós sempre escutamos que o diabo pode ter quaisquer formas, que lúcifer era o anjo mais lindo, que o diabo é tentador, que é difícil resistir ao satanás e tantas outras frases do gênero. Aproveitei esse conceito arraigado no cérebro do povo para trazer os enviados do diabo de uma forma irresistível. Eles próprios seriam também uma tentação.

6 - Além da trilogia "Pacto Secreto" você tem mais algum projeto em
mente que possa ser publicado?
Sim, estou trabalhando atualmente no meu  quarto livro que é puro suspense psicológico. Há mortes que acontecem e não se sabe se há alguma coisa por detrás dessas mortes ou se são fruto do acaso, coincidência. Quero convidar o leitor a embarcar nessa questão e decifrar o mistério. Fui até ao IML para entender mais sobre necrópsia!

7- Renato Ponpeu diz que você "criou uma galeria de tipos
inesquecíveis, de sua pura e livre invenção, imaginativa e criativa".
Você acha que seu livro tem um diferencial comparado a outros que se
assemelham no tema?
O Retrato de Dorian Gray que trata do mesmo assunto (é claro que de uma maneira totalmente diferente) é um clássico maravilhoso com personagens sensacionais. Sei que deve haver mais livros sobre o assunto, mas eu não li. De qualquer forma, o que particularmente eu acho que diferencia meu livro é a abordagem a respeito do assunto "pacto com o diabo" que é dada não apenas sob o enfoque do cristianismo, mas também sob o enforque do caminho da mão esquerda.

8 - Percebi que em "Pacto Secreto" você fala muito de comida e vinhos,
isso, de alguma forma, é algo que você gosta?
Sim! Eu adoro vinho e uma refeição, vamos chamar assim, requintada! Tentei passar um pouco deste prazer ao leitor e quis que ele pudesse se deleitar com o mundo da Valentina que, assim como eu, também possui esse gosto.

9 - Você acredita que existem dois lados, o bem e o mal, e que há
sempre uma escolha?
Vamos por partes. Eu acredito que sempre há a possibilidade de uma escolha, mas não acredito em "bem" e "mal" tal como essas palavras são usadas pela nossa sociedade atual. Muitos filósofos já se debateram sobre a questão do bem e do mal e não sou eu que tenho condições ou conhecimento para aqui fazer um tratado, mas vale refletirmos que a ideia de bem e mal sempre muda conforme a sociedade em que vivemos. Muitos dos ditos pecados são considerados algo mal, assim mesmo percebemos que muitos não passam de um simples prazer humano. Vale perguntar por que ele foi rebaixado a condição vil de pecado? Por que negar o prazer ao homem? O que pode haver de ruim nisso? Não é o prazer humano algo natural que devemos buscar? Na Grécia antiga era considerado saudável e bom a busca do prazer. Dionísio era o deus do vinho, das festas, dos prazeres naturais e era adorado. Não havia problema algum nisso. Era bom. Faziam festas em sua homenagem: os bacanais (baco é o nome do Deus na roma antiga). Essas festas eram conhecidas pelo excesso de bebidas e prazer. Esse era o objetivo. Acreditava-se que com esse êxtase dos sentidos se estaria mais próximo do Deus Dionísio. Nada disso era condenado. Hoje uma festa desse tipo seria objeto de uma repulsa puritana, pois não é aceita por nossa sociedade, é considerada ruim, má. Percebe como é relativo o bem e o mal? Eu não estou aqui defendendo um modo de viver ou outro, só quero mesmo é deixar claro como o bem e o mal variam de sociedade para sociedade. A verdade é que cada sociedade cria sua própria moralidade. Na minha opinião é importante o indivíduo ter essa clareza para que possa criar seu próprio código moral, desvinculando-se daquilo que a sociedade prega e não lhe interessa. A partir de Sócrates, vemos que o homem se afasta do seu lado que é voltado ao prazer para buscar apoio exclusivamente na razão, contudo, será que tudo pode ser racionalizado? Não é melhor a busca do equilíbrio? Eu li um livro fantástico "Memórias do Subsolo" de Dostoiévski e lá o autor coloca sabiamente que nem tudo que nos dá prazer é bom, em outras palavras, às vezes queremos algo que sabemos que ruim para nós ou prejudicial à saúde. Poderá até o prazer ser racionalizado? Acho que a ditadura da razão também é uma coisa da nossa época. Vale citar um frase desse livro para reflexão  De onde tiram todos esses sábios, que o homem precisa de uma vontade normal, uma vontade virtuosa? De onde tiram que o homem precisa indispensavelmente de uma vontade proveitosa? O homem precisa unicamente de uma vontade ‘autônoma’, custe a esta o que custe, e lhe traga as consequências que lhe traga.” (p. 90)


10 -  Para finalizar deixe um recado para seus leitores.
Bom, depois da última pergunta eu fiquei inspirada… Convido todos vocês a refletirem um pouco sobre a vida e a desvendarem dentro de seus corações qual é sua verdadeira vontade. Descobriram? Pois então, não se afastem dela! Um grande abraço a todos!

** ** **

Você pode saber mais sobre o livro acessando o blog da autora aqui.

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22 comentários:

  1. :O Quero ler!! Ótimo tema pra um livro! E adorei a forma que o Aleff entrevista, extrai o melhor da autora!

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    1. Leia, sim, é um livro maravilhoso! ;)

      Abraços

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  2. Puxa vida, Alef. Tenho de confessar que até este momento não tinha tido o prazer de ler nada a respeito da Eliane e seu livro que, por sinal, me deixou bastante curioso. Achei bem legal a sinceridade que ela usou para as respostas e o último conselhos. Parabéns pela excelente entrevista!

    Assim me despeço, com a promessa de voltar.
    E como há braços, abraços
    Caleb Henrique - Viajante Literário

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    1. Obrigado, Call, quando tiver a oportunidade leia "Pacto Secreto", tenho certeza que você vai gostar muito.

      Abraços

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  3. Carolina Durães17/02/2013 09:42

    Oi Alef, tudo bem?
    Primeiramente parabéns pela entrevista!
    É sempre maravilhoso quando conhecemos um pouco mais sobre o autor e a sua obra, e ao conhecer a inspiração da Eliane para escrever "Pacto Secreto", realmente fiquei ainda mais curiosa com o livro!
    Sucesso ao blog e a autora!
    Beijos

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    1. Oi, tudo bem, sim, e você?

      Sim, eu também adoro quando as minhas dúvidas são respondidas, eu adorei "Pacto Secreto" e tenho certeza que você também vai gostar.

      Abraços

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  4. Nossa adorei a entrevista.. eu ja tinha ouvido falar desse livro, mas depois dessa postagem vai entrar na lista de futuras aquisições ;)

    Parabéns!!!

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    1. Você realmente precisa ler esse livro. Ele trata de um tema mais diferenciado, que poucos autores ousam trabalhar.

      Abraços

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  5. Já tinha ouvido falar desse livro mas nunca tinha me dado vontade de ler! Ainda bem que você me fez mudar de ideia com essa entrevista maravilhooosa!! Vai pra minha lista ;)

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    1. Que bom que despertei a sua vontade de ler, querida, tenho certeza que não vai se arrepender.

      Abraços

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  6. Nossa, eu quero ler esse livro, parece muito bom :D Adorei a entrevista Alef, como sempre, você está de parabéns.

    Um grande abraço.

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    1. Obrigado, Pedro!

      Leia, você vai se surpreender!

      Alef

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  7. Que legal a entrevista, estou ansiosa para ler o livro dela.
    leituramagnifica.blogspot.com.br/

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    1. Ana, boa leitura!

      Vou dar uma passada no seu blog...

      Abraços

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  8. Bacana a entrevista, gostei de saber mais sobre a autora :)

    ps: tem resenha nova lá no blog http://escutaessa.blogspot.com.br/2013/02/resenha-livro-primeira-vista-de.html

    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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    1. Que bom que você gostou, Renata, assim que tiver uma oportunidade, leia!

      Abraços

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  9. Olá muita boa dica! vem me conhecer http://enfimos18.blogspot.com.br/ se me seguir retribuo.

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    1. Aproveite a leitura!

      E vou passar na seu blog... ;)

      Abraços

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  10. Perguntas muito bem elaboradas, Alef. Parabéns! Realmente é muito bom conhecer um pouco mais sobre os autores.
    Beijos!!!

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    1. Obrigado, All, tente ler o livro, quero saber sua opinião.

      Abraços

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  11. Bem como você sabe Alef não quero chegar nem perto desse livro nada contra a autora e sua obra mas não gosto de me envolver com esse tipo de coisa, mas gostei da entrevista, deu pra conhecer melhor a autora ^^

    Abraços.
    Guilherme.
    http://umcompulsivoleitor.blogspot.com.br

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    1. É, eu sei que você não quer nem chegar perto do livro, mas não há nada de bizarro nele! Mas, se você não quer ler, paciência!

      Abraços

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