09 agosto 2012

Resenha "As Flores do Ruanda" do autor Adelson Correia da Costa (by Carolina Durães)


Sinopse - "De 06 de abril a 10 de julho de 1994 ocorreu em um pequeno país centro-africano chamado Ruanda uma matança indiscriminada de milhares de indivíduos da etnia tutsi perpetrada pelos hutus com os quais convivem. As Flores do Ruanda é um romance que relata a épica jornada de um ano de duração de uma médica americana, Dra. Isabelle, inserida em um contexto hostil de guerra civil a serviço da Cruz Vermelha Internacional. O seu contato com os pigmeus africanos denominados twas nos apresenta este povo sofrido que, sem ao menos perceber as razões da matança generalizada, foi impiedosamente chacinado. Expulsos do Ruanda pelos hutus, os tutsis se organizam no exílio do Uganda e fundam a Frente Patriótica Ruandesa, grupo guerrilheiro armado que invade o país a partir do Norte, em busca da retomada do poder político central. Este esforço demanda intensas contendas e batalhas sangrentas, motivando a retaliação hutu por meio do genocídio ruandês, que visou o extermínio da etnia opositora". 




Minha opinião - “No Ruanda, vivem basicamente três grupos étnicos: os hutus (rutus), que formam a maioria com cerca de oitenta e cinco por cento da população; os twas (tuás) com menos de um por cento e os tutsis (tútsis) com mais ou menos quatorze por cento. Os twas foram os primeiros habitantes a chegarem à região montanhosa do atual Ruanda, por volta do século VI a.C. Em sequência, chegaram em meados do século VI d.C. os hutus e, aproximadamente, cem anos depois, os primeiros tutsis. Os twas se comunicam entre si em rukiga, sua linguagem original, todavia se utilizam do kinyarwanda (kinyaruandês, ruandês), inglês e francês presentes no país”.(p.14)
Vou começar descrevendo um pouco o que eu achei dos personagens:
A Dra. Isabelle é uma jovem médica americana que através da Cruz Vermelha acaba parando em Ruanda. Filha de um político importante nos Estados Unidos. Ela é totalmente destemida, algumas vezes doidinha rs, mas sempre tenta lutar pelo que considera justo.
Mukono é um twa, que muitos acreditam possuir alguns “dons”. Eu tive uma relação de amor e ódio com ele. Eu entendo o porque do modo dele agir, mas na maioria das vezes não concordei com o modo que ele agiu. Faz sentido pra vocês? rs. O que eu quero dizer é que ele defende seu ponto de vista, luta, briga, reage, mas as suas ações na maioria das vezes são impensadas e acabam ou podem acabar prejudicando os twas de uma forma geral. Sem contar que fiquei muito muito brava com o episódio da Dancilla (não vou contar o que houve, vou deixar todo mundo curioso rs).
Rose é uma enfermeira no hospital que a dra. Isabelle trabalha e se torna sua melhor amiga desde o início. A sua história é formada por momentos felizes e tristes (acho que todos tem uma vida assim).
Canisous Rubuga é um líder de um grupo de guerrilheiros, e foi um dos personagens que me deixou muito irritada. Acho que se tivesse que definir esse personagem em uma única palavra, seria : desumano. Seu papel é importantíssimo na história, mas eu juro a vocês que só de ler o nome dele no livro, eu sabia que aconteceria algo que eu não iria gostar.

Existem diversos outros personagens que apesar de começarem como secundários, ganharam papel de destaque (como o meu querido twa florista).
O livro também retrata as mulheres de Ruanda, que independente de sua etnia foram maltratadas e humilhadas em sua forma mais brutal. O livro traz um tema forte, mas foi muito bem escrito e realmente me marcou.
A única crítica que eu tenho, é sobre o tamanho da fonte, que eu gostaria que fosse um pouquinho maior rs.


Espero que tenham gostado da resenha! Aproveitem para comentar e participar da promoção "Semana dos autores nacionais" (Não esqueçam de ler as regras).
Beijos

6 comentários:

  1. gosto de ligar a capa á história e essa capa me deixou intrigrada, kkkk,estava me empolgando quando você começou a falar: "Mukono é um twa [...] acabar prejudicando os twas de uma forma geral." E quando você escreveu "Sem contar que fiquei muito muito brava com o episódio da Dancilla (não vou contar o que houve, vou deixar todo mundo curioso rs)." fiqueei =( kkkk... agora uma pergunta: você conseguiu achar relação da capa com a história? se sim, poderia nos contar qual é?

    "Eu apoio a literatura nacional junto com o blog Floreios e Borrões"

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    1. Carolina Durães09/08/2012 19:44

      Oi Priscila, tudo bem com você? Olha, eu vou te dizer o que eu achei da relação da capa com o livro ok? A destruição representa Ruanda após a guerra, o que sobrou dela, os escombros... e a cruz, na minha opinião, representa todas as mortes que ocorreram... Temos que perguntar ao autor o real significado, mas foi assim que eu interpretei...
      Que bom que gostou da resenha rs... Eu sei que é injusto deixar o pessoal curioso, mas se eu contasse, tiraria a idéia do livro rs!
      Beijos

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    2. Nossa então o autor é bem detalhista, muitoo bom, acredito que são as capas enigmáticas que fazem um bom leitor sentir curiosidade de ler o livro

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    3. Carolina Durães10/08/2012 07:47

      Bom dia Priscila! Concordo com você... mas temos que perguntar ao autor qual é o real significado dessa capa rs.
      Honestamente, esse livro foi parar nos meus favoritos. Mesmo tendo me feito chorar muito, eu não sei explicar, mas fiquei extremamente conectada a ele.
      Beijos

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  2. Da última vez que li um livro forte assim, eu fiquei para morrer e jurei que nunca mais! kkkkk
    Esse tipo de história é boa, não nego, é uma leitura que enriquece, apresenta um mundo novo, traz conhecimento, mas não é pra mim, realmente... :/ Não posso deixar de dizer que realmente admiro médicos/pessoas que "saem" da sua vida e vão para lugares assim, ajudar as pessoas. OO mundo seria um lugar melhor se existissem mais pessoas assim.

    "Eu apoio a literatura nacional junto com o blog Floreios e Borrões"
    @jana_keanuloka

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    1. Carolina Durães20/08/2012 17:54

      Pois é Janaina, realmente temos uma leitura forte mesmo, mas vale muito a pena!
      Infelizmente não são todos que conseguem ler o gênero, eu realmente me emocionei e chorei bastante!
      Beijos

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